Espelho d’água do Palácio do Planalto: A história da invasão com ônibus que mudou o cartão-postal do DF

Por Cadê Brasília ✔
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Curiosidades de Brasília: O atentado com ônibus que fez surgir o espelho d’água do Palácio do Planalto. Foto: TV Globo

Inaugurado apenas em 1991, o elemento arquitetônico foi construído como barreira de segurança após um homem sequestrar um ônibus na Rodoviária do Plano Piloto e invadir o prédio da Presidência.

Quem passeia hoje pela Praça dos Três Poderes e contempla as colunas marcantes do Palácio do Planalto raramente imagina que um dos seus elementos mais famosos não fazia parte do projeto original de Brasília.

O espelho d’água, que emoldura a fachada da sede do Poder Executivo Federal, não estava lá na inauguração da capital em 21 de abril de 1960 — ele foi construído mais de três décadas depois por um motivo dramático de segurança pública.

A estrutura de proteção foi erguida e inaugurada em 1991 como resposta direta a uma tentativa de atentado contra o então presidente José Sarney, ocorrida em maio de 1989, quando um morador de Taguatinga invadiu o palácio utilizando um ônibus roubado na Rodoviária do Plano Piloto.

O ataque em 1989: Do Plano Piloto à Praça dos Três Poderes

Na manhã de uma terça-feira, 30 de maio de 1989, o motorista João Antônio Gomes, de 36 anos, tomou o controle de um ônibus da viação Planeta na Rodoviária do Plano Piloto.

Em um ato desesperado impulsionado por insatisfação com a crise econômica do Governo Sarney, ele dirigiu o veículo em direção ao Eixo Monumental e avançou diretamente contra a fachada do Palácio do Planalto.

O ônibus penetrou cerca de 30 metros para dentro da estrutura, destruindo o teto da entrada e causando sérios danos materiais ao patrimônio público. A guarda presidencial só conseguiu conter o invasor após o impacto inicial.

  • Depoimento e motivação: Em interrogatório prestado à Polícia Federal na época, João Antônio — que morava em Taguatinga com a família e passara quase três anos desempregado antes de conseguir um novo trabalho — afirmou que pretendia atingir o presidente e que agiu motivado por “revolta política”.
  • Atendimento no local: Além de pequenos arranhões nas mãos do próprio invasor, ninguém mais ficou ferido no episódio. O homem foi detido e posteriormente encaminhado ao Núcleo de Custódia da Papuda.

A consulta a Oscar Niemeyer e a criação da barreira arquitetônica

Logo após o incidente em 1989, a segurança do governo federal e o Serviço Nacional de Informações (SNI) constataram a vulnerabilidade do Palácio do Planalto contra invasões terrestres diretas.

Para solucionar o problema sem descaracterizar as linhas tombadas da capital federal, as autoridades do DF e o governo federal consultaram o próprio arquiteto Oscar Niemeyer. Diversas alternativas de proteção foram analisadas na época:

  • Instalação de correntes metálicas ao redor da praça;
  • Criação de canteiros com grades e barras de ferro;
  • Construção de um espelho d’água perimetral isolando o acesso de veículos.

A solução do espelho d’água foi a escolhida por unir eficiência de segurança — impedindo que qualquer veículo avance contra a rampa principal — à elegância do design modernista de Niemeyer, mantendo a sensação de leveza do palácio. As obras foram concluídas e a estrutura foi inaugurada oficialmente em 1991.

Tabela Histórica: A Invasão do Planalto em Detalhes

DetalheInformação Histórica
Data do Atentado30 de maio de 1989
Origem da InvasãoÔnibus roubado na Rodoviária do Plano Piloto
Alvo do AtaquePresidente José Sarney
InvasorJoão Antônio Gomes (morador de Taguatinga/DF)
Solução de SegurançaConstrução do espelho d’água em volta da fachada
Inauguração do Espelho d’Água1991

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