
Segundo apuração do Portal Metrópoles, a Anova Empreendimentos é investigada por vender imóveis sem registro em Ceilândia e Samambaia; empresa tem dívida de R$ 1,6 milhão com a União.
O sonho da casa própria se transformou em um pesadelo judicial e financeiro para pelo menos 74 famílias no Distrito Federal e no Entorno. De acordo com uma reportagem publicada pelo Portal Metrópoles, a construtora Anova Empreendimentos Imobiliários LTDA. virou alvo de uma enxurrada de denúncias e já acumula mais de 330 processos na Justiça (sendo mais de 300 no DF e 29 em Goiás).
Os clientes acusam a empresa de abandonar canteiros de obras e sumir com o dinheiro investido. Apartamentos comprados na planta em Samambaia, Ceilândia e Valparaíso (GO) simplesmente nunca saíram do papel. A construtora também é alvo de um inquérito criminal por comercializar os imóveis de forma irregular, sem o registro do memorial de incorporação.
“Só o terreno vazio”: O drama das vítimas
As histórias de quem confiou na empresa são marcadas por frustração. O Metrópoles conversou com a fisioterapeuta Jeniffer Ribeiro Martins, que, junto com o marido, comprou um apartamento na planta na QR 306 de Samambaia em 2021. O imóvel custaria R$ 197 mil e a promessa era de que as chaves seriam entregues em outubro de 2024.
Após investirem quase R$ 40 mil entre entrada e 36 parcelas mensais, o casal descobriu o golpe.
“Em abril eu fui ao local e não tinha nada. Inclusive, até hoje não existe nada no local. Só o terreno vazio”, desabafou a fisioterapeuta à reportagem. Ela relatou ter desenvolvido problemas psicológicos e precisar de medicação após o baque financeiro.
Em Ceilândia, a situação se repete. No P Norte, clientes que pagaram R$ 15 mil de entrada no residencial “Viva” afirmam que o lote continua abandonado. Já no Entorno, em Valparaíso, compradores que visitaram o condomínio “Link Valparaíso” relatam um cenário de abandono: gesso caindo, paredes sem pintura e falta de operários, embora a empresa continue anunciando as unidades como “prontas”.
Investigação: Empresa tem dívida milionária e CNPJs suspeitos
Um levantamento feito pelo Metrópoles nos registros de dívida ativa da União revelou que a construtora acumula um passivo de R$ 1.645.351,49 em débitos federais em aberto. A maior parte do rombo (R$ 1,3 milhão) é de sonegação de contribuições previdenciárias destinadas ao INSS, além de R$ 336 mil em impostos não pagos.
Outro detalhe que acendeu o sinal de alerta dos investigadores e advogados das vítimas envolve a estrutura empresarial descrita na reportagem:
- A empresa está registrada em nome do empresário Daniel de Castro Lacerda.
- Ele abriu outros sete CNPJs ligados à empresa.
- Curiosamente, embora a firma principal (criada em 2012) tenha nascido com um capital social de R$ 220 mil, as outras sete empresas satélites foram registradas com um capital social de apenas R$ 1.000 cada, uma prática comum usada para pulverizar patrimônio.
Sumiço das redes sociais e defesa
Buscando pressionar a construtora, as vítimas chegaram a criar uma página no Instagram que já reúne mais de 120 pessoas lesadas. O Reclame Aqui da empresa também está inundado com 80 reclamações sem resposta. Recentemente, a página oficial da Anova foi completamente excluída das redes sociais.
À reportagem do Metrópoles, a construtora tentou se defender na esfera judicial alegando que os prazos de entrega não haviam expirado à época das primeiras ações e que atrasos no cronograma poderiam ocorrer por fatores externos. O espaço segue aberto para manifestações da Anova Empreendimentos.
